O 24º Fórum Empresarial Lide, realizado (no Hotel Fairmont, em Copacabana), foi aberto com um discurso que mexeu com a plateia. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), subiu ao palco e, em poucos minutos, deixou claro que não falaria apenas para agradar o público presente.
Sem mencionar diretamente colegas ou autoridades, Mendonça afirmou que o Brasil precisa de instituições sólidas e justas, ressaltando que quem as ocupa tem a responsabilidade de fortalecê-las, e não de fragilizá-las. Para ele, o país só encontrará estabilidade quando a lei for a regra e não a vontade pessoal de quem exerce o poder.
O magistrado destacou que cabe ao Estado funcionar de forma racional, equilibrada e previsível, em oposição ao arbítrio. “A justiça deve estar presente para conter excessos”, disse, reforçando que decisões judiciais devem ser fonte de confiança e não de instabilidade.
O momento mais marcante do discurso ocorreu quando o ministro criticou o ativismo judicial, tema sensível dentro e fora dos tribunais. Mendonça lembrou que o Judiciário tem a prerrogativa de dar a última palavra, mas não deve concentrar em si o direito de falar sempre primeiro e último. Segundo ele, o “bom juiz” é aquele respeitado pela consistência de suas decisões, e não pelo temor que elas despertam.
A reação do auditório foi imediata: empresários aplaudiram de pé, interpretando o recado como um chamado ao equilíbrio institucional em um ambiente de negócios que clama por previsibilidade.
Mais do que um discurso protocolar de abertura, a fala de Mendonça deu o tom político do encontro: um convite à racionalidade no exercício do poder e uma crítica direta ao excesso de protagonismo judicial que, na visão do ministro, ameaça a confiança no Estado de Direito.



