Depois de anunciar que vai ouvir, dentro do Complexo de Gericinó, alguns dos maiores ladrões de carros do estado, a CPI das Câmeras da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) já definiu os próximos passos. A comissão, presidida pelo deputado Alexandre Knoploch (PL), pretende concentrar a sessão do dia 22 de setembro em associações e cooperativas de proteção veicular — setor cada vez mais questionado por supostas ligações com o crime organizado.
A expectativa é de que mais de 30 pessoas sejam levadas coercitivamente para depor, com apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Entre os alvos estão representantes de empresas que já haviam sido convocadas, mas se recusaram a comparecer sem justificativa. Outras cooperativas, que vêm colaborando com as investigações, serão apenas convidadas.
“Estamos começando a montar o quebra-cabeça dessas relações entre o setor de proteção veicular e práticas criminosas”, afirmou Knoploch, destacando que os depoimentos no presídio, marcados para o dia 15, podem revelar novas conexões.
Empresas sob pressão
Um dos focos da CPI é a Pontual Clube de Benefícios. A sócia-administradora, Carla Conceição Barbosa, já ignorou convocações anteriores e deve ser levada coercitivamente à próxima sessão. Deputados apontam uso irregular de recursos da associação e vínculos de dirigentes com empresas fornecedoras, o que indicaria desvio de finalidade em uma entidade registrada como sem fins lucrativos.
Outro caso que ganhou destaque é o da Rioben, presidida por Nathalia Paiva David. Em sessão recente, a executiva quase recebeu voz de prisão após ser acusada de atuar como “laranja” de seu tio, Saed David Fuerte. O episódio levou os parlamentares a aprovar a quebra de sigilo fiscal, bancário e telemático dela, da empresa e de familiares envolvidos.
Escopo ampliado
A CPI das Câmeras nasceu para investigar contratos de instalação de câmeras de vigilância em áreas públicas, mas rapidamente expandiu seu alcance. Hoje, a comissão também apura suspeitas envolvendo ferros-velhos, locadoras de veículos, roubos de carga e até operações de lavagem de dinheiro com ouro, em reflexo da prisão do deputado TH Joias (ex-MDB).
Com apoio da Draco, o objetivo é rastrear como diferentes setores podem estar servindo de fachada para organizações criminosas. A cada sessão, o clima de tensão cresce e a pressão sobre empresas e dirigentes aumenta.
“Não é uma investigação sobre uma ou duas associações, é sobre todo um setor que precisa ser esclarecido”, reforça Knoploch.
A CPI é formada ainda pelos deputados Marcelo Dino (União), vice-presidente, e Filippe Poubel (PL), relator. Os trabalhos seguem até o fim do ano, mas já é certo que as revelações devem impactar diretamente o debate sobre segurança pública e a regulação de cooperativas no estado.



