Policiais da Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) realizaram, na manhã desta terça-feira (21), uma operação no Morro do Jordão, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, para investigar a existência de um cemitério clandestino supostamente mantido pelo Comando Vermelho (CV), facção que domina a comunidade.
A ação contou com o apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e do Corpo de Bombeiros. As equipes chegaram ao local nas primeiras horas do dia e concentraram as buscas em áreas de mata, apontadas por informações de inteligência como possíveis pontos de descarte de corpos de vítimas de grupos rivais ou de moradores desaparecidos.
Durante a varredura, os agentes localizaram uma poça de cerca de 30 metros de extensão, onde foram encontradas ossadas e um crânio em avançado estado de decomposição. O material foi encaminhado para análise pericial, e a polícia ainda não confirmou se os restos são de origem humana.
De acordo com a DDPA, a operação integra uma investigação em curso sobre desaparecimentos recentes associados ao tráfico de drogas na região. O trabalho envolve levantamento de dados, escavações pontuais e o uso de cães farejadores e equipamentos de detecção. As buscas continuam.
Disputa pelo controle do território
O Morro do Jordão fica entre os bairros da Taquara e do Tanque, em uma área historicamente marcada pela presença de facções criminosas e milícias.
Por muitos anos, o local esteve sob domínio de milicianos, que cobravam taxas e impunham regras aos moradores. No entanto, em 2015, uma denúncia revelou que o território teria sido “vendido” ao Comando Vermelho por cerca de R$ 3 milhões, o que consolidou a troca de poder entre grupos criminosos.
Desde então, a comunidade enfrenta frequentes confrontos armados entre traficantes do CV e remanescentes de milícias, mantendo a região sob clima constante de tensão e medo.





