Uma festa promovida pela Polícia Militar do Rio de Janeiro no último domingo (19) tem causado mal-estar entre deputados estaduais e o próprio governo estadual. O evento, batizado de “Operação Diversão”, foi organizado para celebrar o mês das crianças e contou com distribuição de brindes, bicicletas e um show do cantor Belo, realizado no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cefap).
Apesar do clima de confraternização, a celebração gerou irritação na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Parlamentares da área da segurança pública consideraram o evento um ato de autopromoção do secretário da PM, coronel Marcelo Menezes, e passaram a chamá-lo ironicamente de “Menezes Palooza”, numa referência ao festival Lollapalooza.
Nos bastidores, deputados afirmam que Menezes estaria se preparando para disputar uma vaga na Alerj nas eleições de 2026, e que o uso da estrutura da corporação em eventos públicos poderia beneficiar sua futura candidatura.
Fontes próximas ao governador Cláudio Castro (PL) disseram que ele não foi oficialmente informado sobre as pretensões políticas do coronel. A possível candidatura de Menezes é vista como um fator de tensão dentro da base governista, já que ampliaria a disputa por espaço entre aliados.
O Diário Oficial do Estado, publicado nesta terça-feira (21), revelou que a Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro (Funarj) firmou um contrato no dia 17 de outubro com a empresa Alex Sandro da Silva Calil para a apresentação do show de Belo, justamente no evento da PM.
Deputados agora questionam se houve uso indevido de recursos públicos na festa e cobram esclarecimentos sobre os gastos e os objetivos oficiais da iniciativa. O governo ainda não se pronunciou sobre o caso.



