Uma idosa morreu após ser baleada durante um intenso tiroteio entre facções rivais na madrugada desta segunda-feira (27), no Complexo da Pedreira, em Costa Barros, Zona Norte do Rio. A guerra entre criminosos do Comando Vermelho (CV) e do Terceiro Comando Puro (TCP) provocou pânico entre moradores e levou a Polícia Militar a realizar uma operação emergencial na região.
Segundo a corporação, traficantes do CV, vindos do Chapadão, tentaram invadir áreas controladas pelo TCP, dando início ao confronto. Durante o tiroteio, os criminosos invadiram uma casa na Rua Quitanda para se esconder. No local, estava Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, que acabou atingida por disparos enquanto tentava se proteger com o irmão. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
O tenente-coronel Leandro Maia, comandante do 41º BPM (Irajá), explicou que a mulher foi usada como refém durante o confronto.
“Os criminosos entraram na casa para se esconder. Rivais tentaram retirá-los à força e houve troca intensa de tiros e uso de granadas. Quando chegamos, conseguimos negociar e retirar a senhora ferida, mas infelizmente ela não sobreviveu”, afirmou o oficial.
A ação terminou com dois suspeitos mortos e três presos, sendo dois deles baleados. Os policiais também apreenderam sete fuzis e recuperaram seis veículos roubados.
Pânico entre moradores e comerciantes
O confronto começou ainda na noite de domingo (26), obrigando moradores e comerciantes a se refugiarem. Em um vídeo que circula nas redes sociais, clientes e funcionários de um mercado local aparecem se escondendo em banheiros e na cozinha para escapar das balas. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.
UPA de Costa Barros reaberta sob tensão
O tiroteio aconteceu poucas horas antes da reabertura da UPA de Costa Barros, que estava fechada desde o fim de setembro, após criminosos armados invadirem a unidade e levarem dois pacientes. Na ocasião, profissionais relataram momentos de terror e ameaças.
Mesmo com o retorno dos atendimentos, parte da equipe ainda demonstra medo de voltar ao trabalho. O secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou que não há previsão de novo fechamento, mas reconheceu a insegurança entre os funcionários.
Confrontos afetam rede de saúde
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, entre janeiro e setembro deste ano, 741 unidades precisaram interromper o funcionamento temporariamente por causa de tiroteios e confrontos armados — o que equivale a uma paralisação a cada nove horas.
Mais de 200 profissionais pediram afastamento no mesmo período, principalmente em áreas dominadas por facções, como o Chapadão e a Pedreira, onde a violência tem impactado diretamente o atendimento à população.



