A megaoperação policial realizada nos Complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio, alcançou nesta quarta-feira (29) um número trágico: pelo menos 128 mortos, segundo informações preliminares. O total supera qualquer outro episódio de violência policial já registrado no Brasil, incluindo a Chacina do Carandiru, ocorrida em 1992, que deixou 111 detentos mortos em São Paulo.
Durante a manhã, 64 corpos foram levados à Praça São Lucas, ponto de encontro na Penha onde equipes da Defesa Civil e do Instituto Médico Legal (IML) realizavam a remoção das vítimas. Os corpos se somam aos 64 contabilizados oficialmente pela polícia na terça-feira (28), mas moradores relatam que ainda há corpos espalhados em áreas de mata, o que pode elevar o número de mortos nas próximas horas.
A Polícia Militar informou que as novas vítimas encontradas não foram incluídas no balanço anterior e que aguarda a perícia da Polícia Civil para confirmar se todas as mortes estão relacionadas à operação.
A ação, que mobilizou 2,5 mil agentes das forças de segurança estaduais e do Ministério Público, foi iniciada para combater a expansão do Comando Vermelho (CV) na região. Desde o início da ofensiva, confrontos intensos foram registrados em diferentes pontos da Zona Norte, e o clima de tensão permanece.
Com o novo balanço, o episódio se consolida como a operação mais letal já realizada no Brasil, reacendendo o debate sobre os limites da atuação policial em áreas densamente povoadas e o impacto da violência sobre a população civil.
Autoridades do estado afirmam que a ação segue dentro das regras estabelecidas pela ADPF das Favelas, que define diretrizes para operações em comunidades, mas organizações de direitos humanos cobram transparência e investigação imediata sobre o elevado número de mortes.



