A Polícia Civil prendeu, na manhã desta terça-feira (25), o vereador Ernane Aleixo (PL), de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Ele é investigado por suspeita de colaborar com o Terceiro Comando Puro (TCP), oferecendo apoio logístico e até recursos públicos para a construção de barricadas usadas pela facção no município.
A prisão faz parte da Operação Muro de Favores, que mira um esquema de suporte operacional ao grupo criminoso em troca de vantagens políticas e financeiras. Outras cinco pessoas foram detidas.
Mensagens revelam oferta de máquinas da Prefeitura
Os investigadores apontam que Ernane mantinha contato direto com Marlon Henrique da Silva, o “Pagodeiro”, preso desde 2024 e apontado como peça-chave do TCP na região. Em mensagens obtidas pela Polícia Civil, o vereador aparece oferecendo máquinas da Prefeitura de São João de Meriti para erguer barricadas que dificultavam a circulação da polícia e de moradores.
A companheira de “Pagodeiro” também foi presa na ação desta terça-feira.

Negociação de vagas em hospital também é investigada
De acordo com o conteúdo das conversas analisadas, o apoio do vereador ao grupo não se limitava às estruturas de bloqueio. As mensagens revelam que ele teria oferecido cargos em um hospital da cidade em troca de favores e apoio político da facção.
As negociações eram conduzidas diretamente com “Pagodeiro”, considerado o braço direito de Geonário Fernandes Pereira Moreno, o “Genaro”, líder do TCP em São João de Meriti.
A operação é conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), que cumpre 8 mandados de prisão e 36 de busca e apreensão.
Segunda prisão de vereador no município em menos de duas semanas
A Câmara de São João de Meriti enfrenta um novo escândalo em menos de duas semanas. No último dia 14, o vereador Marcos Aquino (Republicanos), o mais votado da cidade, foi preso durante uma operação contra o Comando Vermelho (CV).
Ele não era alvo da investigação, mas foi flagrado com uma arma de fogo irregular e acabou detido. Marcos Aquino foi liberado após pagar R$ 20 mil de fiança.
A operação desta terça reforça a preocupação das autoridades com a infiltração de facções criminosas em estruturas políticas da Baixada Fluminense.



