O presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), foi preso na manhã desta quarta-feira (3) durante uma reunião na sede da Polícia Federal. Ele é investigado por supostamente ter repassado dados sigilosos da Operação Zargun, que resultou na prisão do ex-deputado estadual TH Joias.
A prisão faz parte da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além da detenção, agentes cumprem oito mandados de busca e apreensão. As equipes estão no gabinete de Bacellar, no prédio da Alerj, no Centro do Rio, e também em seu apartamento, em Botafogo.

Caso TH Joias
A ação desta quarta ocorre no mesmo dia em que TH Joias está sendo transferido do Complexo de Gericinó para a sede da PF, onde deve ocorrer uma acareação. O ex-parlamentar foi preso em setembro, na Barra da Tijuca, acusado de tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e fornecimento de armas ao Comando Vermelho.
Na ocasião, 18 mandados de prisão foram cumpridos. Entre os detidos estavam um delegado da Polícia Federal, um ex-secretário de Estado e aliados políticos próximos de TH Joias, o que levantou suspeitas de vazamento prévio da operação — exatamente o ponto que agora coloca Bacellar sob investigação.
Trajetória política de Bacellar
Rodrigo Bacellar foi eleito deputado estadual em 2018 e reeleito em 2022, até assumir a presidência da Alerj em 2023. Em fevereiro de 2025, conquistou a reeleição para o comando da Casa com apoio unânime dos parlamentares, algo inédito na história recente do Legislativo fluminense.
O político também vinha sendo cotado como pré-candidato ao Governo do Estado, sustentado por uma articulação conjunta com o governador Cláudio Castro. A aliança, no entanto, se desfez após Bacellar, enquanto governador em exercício durante uma viagem de Castro, exonerar o então secretário de Transportes, Washington Reis, adversário político. O episódio marcou o rompimento entre os dois.
Próximos passos
A Polícia Federal segue analisando o material apreendido e investigando o possível uso de informações internas para favorecer investigados. A defesa de Bacellar ainda não se manifestou.



