O vereador Pedro Duarte, conhecido por sua trajetória no Partido Novo e pelas frequentes divergências políticas com o prefeito Eduardo Paes — apesar de ambos serem assumidamente vascaínos — tornou-se alvo de forte articulação nos bastidores da política do Rio. Agora fora da legenda que o projetou, Duarte recebeu um convite formal para se filiar ao PSD e já é tratado internamente como futuro reforço do partido.
O presidente estadual da sigla, o deputado federal Pedro Paulo, conduziu pessoalmente a aproximação. Ele levou Duarte para conversar com o prefeito e deixou claro que o PSD pretende investir pesado no vereador nas eleições de 2026.
Segundo Pedro Paulo, a legenda está disposta a apoiar Duarte em qualquer caminho que ele escolha: disputar uma vaga na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados ou até assumir um cargo no Executivo. “É um grande quadro. Terá de nós toda a dedicação”, afirmou.
Duarte pediu tempo para refletir, mas a movimentação já causa forte expectativa no cenário político. Para muitos, sua ida ao PSD é tratada como praticamente certa.
Saída do Novo desencadeia crise interna
A desfiliação de Pedro Duarte ocorre em meio a uma mudança profunda no perfil do Partido Novo. A entrada de nomes ligados ao bolsonarismo — como os deputados Luiz Lima (RJ) e Ricardo Salles (SP) — provocou uma guinada ideológica que afastou integrantes tradicionais.
O grupo mais conservador, com apoio do ex-deputado Alexandre Freitas, aproximou o partido do governador Cláudio Castro (PL) e do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), além de passar a pressionar filiados que não seguiam a linha conservadora adotada recentemente.
Duarte, um dos quadros mais antigos do partido no Rio, vinha demonstrando incômodo com a radicalização. Sua saída foi oficializada após o Novo enviar uma carta apontando “divergências doutrinárias e políticas” e afirmando que sua permanência se tornara “insustentável”.
Efeito dominó
A desfiliação do vereador já provocou uma debandada interna. Os aliados mais próximos de Duarte iniciaram o processo de saída do partido, e outros filiados — mesmo sem ligação direta com ele — devem seguir o mesmo caminho.
Com isso, o Novo enfrenta mais uma crise de identidade e perde um dos principais nomes de sua bancada no Rio.
Enquanto isso, o PSD se movimenta para consolidar a chegada de Pedro Duarte e fortalecer seu palanque para as próximas eleições.



