O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), não deve participar da cerimônia que marca os três anos dos ataques golpistas de 8 de Janeiro, prevista para esta quinta-feira (8), no Palácio do Planalto. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles. Assim como no ano passado, o chefe da Câmara optou por não comparecer ao evento organizado pelo governo federal.
A solenidade está marcada para as 10h, no Salão Nobre do Planalto, e contará com atividades dentro e fora do palácio. A proposta do governo é reunir ministros, autoridades dos Três Poderes e representantes da sociedade civil em um ato simbólico em defesa da democracia.
Clima político influencia decisão
A ausência de Hugo Motta ocorre em meio a um momento de tensão entre o Congresso e o Executivo. O desgaste aumentou após a possibilidade de veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Projeto de Lei da Dosimetria, que altera critérios para definição de penas e pode reduzir punições aplicadas a condenados pelos atos antidemocráticos.
O projeto foi aprovado pelo Senado em dezembro e aguarda decisão do presidente da República. Lula já indicou publicamente que não pretende sancionar o texto.
Tema sensível no aniversário dos ataques
A proposta em discussão no Congresso tem impacto direto sobre condenações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro, incluindo a do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sentenciado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A possibilidade de revisão de penas é tratada pelo governo como um tema delicado, sobretudo em datas simbólicas ligadas à defesa das instituições democráticas.
Outras ausências confirmadas
Além de Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também não deve comparecer à cerimônia. A ausência dos presidentes das duas Casas legislativas reforça a percepção de distanciamento político em relação ao evento promovido pelo Executivo.
Mesmo assim, o governo mantém a programação e espera a presença de ministros, integrantes do Judiciário e representantes da sociedade civil para marcar a data como um momento de memória, reflexão e reafirmação dos valores democráticos.



