A investigação conduzida pela Polícia Federal sobre o uso de emendas parlamentares colocou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, no centro das apurações. Segundo os investigadores, ele teria atuado na indicação de R$ 111,8 milhões em recursos do Orçamento de 2024, apesar de não ocupar mandato no Congresso Nacional.
De acordo com os dados reunidos pela investigação, o volume de recursos atribuído a Valdemar supera o destinado pela ampla maioria dos deputados federais no mesmo período, ficando atrás apenas das indicações realizadas pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira.
A Polícia Federal sustenta que, na condição de presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar teria exercido influência sobre a distribuição das emendas de comissão, modalidade em que os recursos são formalmente registrados em nome de parlamentares ou das lideranças partidárias. Para os investigadores, essa posição lhe permitia participar das decisões sobre o direcionamento das verbas públicas.
A investigação motivou uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do dirigente partidário. No relatório enviado à Corte, a PF afirma que parte das emendas teria sido direcionada de forma irregular para atender a interesses particulares.
Outro ponto destacado pelos investigadores é que, em 2025, o volume de recursos atribuído a Valdemar caiu para R$ 7,4 milhões, embora o relatório não apresente explicações para essa redução.
Em nota, a defesa de Valdemar Costa Neto negou qualquer irregularidade. Os advogados afirmam que a atuação do presidente de um partido na articulação política e na definição das prioridades da bancada é legítima, sustentando que não há provas de desvio de recursos públicos ou fraude na destinação das emendas.
Nos registros oficiais da Câmara dos Deputados, as indicações aparecem vinculadas aos deputados Luiz Carlos Motta (PL-SP), Capitão Alden (PL-BA) e à liderança do PL. Os parlamentares também negaram irregularidades e afirmaram que todos os procedimentos seguiram as normas previstas para as emendas de comissão.
Segundo a investigação, a maior parte dos R$ 111,8 milhões foi destinada a municípios dos estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. Parte desses recursos permanece bloqueada por decisão do STF, enquanto a Polícia Federal prossegue com as apurações sobre a destinação das verbas.



