A Polícia Civil identificou um esquema em que traficantes do Morro Santa Marta, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, utilizavam a rede social X para divulgar e comercializar drogas. Segundo as investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), os entorpecentes eram anunciados de forma disfarçada, apresentados como “especiarias”, com informações sobre preços, promoções e locais de entrega.
A descoberta fez parte da investigação que levou a uma operação realizada nesta terça-feira (23) contra integrantes do Comando Vermelho (CV) que atuam na comunidade. Durante a ação, seis suspeitos foram presos. Outro alvo considerado de destaque, Francisco Rafael Dias da Silva, conhecido como Mexicano, conseguiu escapar do cerco policial, segundo a corporação.
De acordo com a polícia, Mexicano é apontado como uma das lideranças responsáveis pela operação do tráfico no Santa Marta. As investigações indicam que ele estaria ligado às ordens de Ronaldo Pinto Lima e Silva, o Ronaldinho Tabajara ou R9, que atualmente está preso no presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Drogas eram anunciadas como “especiarias”
Segundo a DRE, os traficantes utilizavam perfis na rede social para publicar fotos e vídeos dos produtos, divulgar valores, horários de funcionamento e pontos onde os compradores poderiam buscar as drogas.

Em uma das publicações analisadas pelos investigadores, o grupo fazia referência às drogas usando o termo “especiarias” e divulgava um endereço em Botafogo para retirada dos pedidos.
As postagens também ofereciam promoções em determinados períodos, apresentavam diferentes tipos de entorpecentes e utilizavam embalagens personalizadas com referências a personagens de filmes e desenhos, estratégia que, segundo a polícia, buscava facilitar a identificação dos produtos entre os consumidores.
Operação investigava estrutura do tráfico
A ofensiva foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes e teve como objetivo atingir integrantes da facção responsáveis pela logística e funcionamento do comércio ilegal de drogas na região.
A investigação que deu origem à operação durou cerca de 22 meses e identificou suspeitos ligados a diferentes áreas da estrutura criminosa. Além dos seis presos inicialmente, outros oito suspeitos foram detidos durante a ação.
Os agentes cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE) e do Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC). Ao todo, a operação tinha como meta cumprir 44 mandados de prisão e 98 de busca e apreensão.
A ação faz parte da Operação Contenção, iniciativa do Governo do Estado voltada ao combate ao avanço territorial do Comando Vermelho no Rio de Janeiro.
Turistas se protegem durante tiroteio
O confronto durante a operação também provocou momentos de tensão no Mirante Dona Marta, um dos principais pontos turísticos da Zona Sul.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram visitantes se abaixando e procurando abrigo enquanto disparos eram ouvidos nas proximidades da comunidade. O local recebeu turistas durante a manhã, que ficaram assustados com a intensidade do tiroteio.
A Polícia Civil informou que a operação segue com o objetivo de enfraquecer a atuação da facção e apreender materiais que possam ajudar no avanço das investigações.






