Depois de ter sido aprovada com folga na Câmara dos Deputados, a chamada PEC da Blindagem volta a ser alvo de intensos debates políticos. A proposta será analisada nesta quarta-feira (25) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, conforme anunciou o presidente do colegiado, senador Otto Alencar (PSD-BA).
O texto, no entanto, enfrenta grande resistência. A proposta prevê que processos criminais contra deputados e senadores só possam avançar com autorização prévia das respectivas Casas Legislativas. Além disso, em casos de prisão em flagrante por crimes inafiançáveis, a manutenção da detenção dependeria de votação secreta em plenário, realizada em até 24 horas. Para críticos, essas mudanças representam um retrocesso no combate à corrupção e criam obstáculos para a responsabilização de parlamentares.
Segundo levantamento do jornal O Globo, 17 dos 27 membros da CCJ já se declararam contrários à medida, sinalizando um cenário de rejeição logo na primeira etapa de tramitação no Senado. O próprio presidente da comissão reconhece que a pressão dentro e fora do Congresso é forte para que a PEC seja arquivada.
A repercussão negativa também se refletiu na Câmara. Deputados que inicialmente apoiaram o texto agora se manifestam publicamente em tom de arrependimento. Alguns chegaram a divulgar vídeos pedindo desculpas pelo voto favorável. Um dos casos mais emblemáticos é o da deputada Silvye Alves (União Brasil-GO), que anunciou sua saída do partido em protesto. Ela alegou ter votado contra sua vontade após receber “ameaças de pessoas influentes”.
Do lado de fora do Legislativo, a insatisfação tomou as ruas. No último domingo (21), manifestantes se reuniram em diferentes capitais, como Brasília, São Paulo, Salvador e Rio de Janeiro. Com cartazes e palavras de ordem, pediram que os senadores rejeitem a PEC e reforçaram o clima de pressão popular que deve marcar a votação.
Com o avanço do debate no Senado, a expectativa é de que a proposta seja um dos principais temas da agenda política desta semana, testando a relação entre o Congresso e a sociedade em um momento de forte cobrança por transparência e responsabilidade pública.



