investiga o vazamento de informações sigilosas para beneficiar o Comando Vermelho. A nova etapa da apuração é um desdobramento do caso que resultou na prisão e no afastamento do presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União).
Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso em sua residência, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
Macário é relator do processo envolvendo o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias, detido desde setembro sob acusações de tráfico internacional de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e fornecimento de armas à facção criminosa.
Além da prisão, agentes da PF cumprem dez mandados de busca e apreensão, incluindo endereços ligados a Bacellar e imóveis no Espírito Santo. A informação sobre a detenção do desembargador foi divulgada inicialmente pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Histórico de afastamentos
Macário Judice Neto já havia ficado afastado da magistratura por quase 18 anos, após denúncias do Ministério Público Federal relacionadas à sua atuação como juiz federal no Espírito Santo. O primeiro afastamento ocorreu em 2005, quando o TRF-2 analisava acusações de possível envolvimento em um esquema de venda de sentenças. Ele retornou à carreira e foi promovido ao cargo de desembargador em 2023.
Indícios de novos desdobramentos
Na decisão que determinou a prisão de Bacellar, no início do mês, o ministro Alexandre de Moraes já havia sinalizado que a investigação poderia alcançar outros envolvidos. Entre as medidas citadas estava o pedido de compartilhamento de informações da Operação Oricalco, relacionada ao caso TH Joias, que estava sob relatoria de Macário.
Vínculos com a Alerj
A esposa do desembargador, Flávia Judice, atuava até o mês passado no gabinete da diretoria-geral da Alerj. Ela pediu exoneração do cargo quando as investigações sobre o caso TH Joias já estavam em andamento.
Defesa de Bacellar
Em nota, a defesa de Rodrigo Bacellar afirmou que o parlamentar sempre colaborou com as investigações e negou qualquer tentativa de interferência nos trabalhos policiais. Segundo os advogados, ele cumpriu todas as determinações judiciais e prestou os esclarecimentos solicitados, reiterando que não atuou para obstruir ou dificultar apurações.



