O projeto de lei que pretende transformar o Dia de Corpus Christi em feriado municipal no Rio de Janeiro voltou à pauta da Câmara nesta terça-feira (16), mas a expectativa nos corredores do Palácio Pedro Ernesto é de que a votação seja adiada novamente.
A proposta é assinada pelo vereador e atual secretário Márcio Santos (PV), em coautoria com Vera Lins (PP) e Rogério Amorim (PL). A iniciativa esbarra em um detalhe técnico: pela legislação vigente, a cidade só pode incluir mais um feriado religioso em seu calendário oficial. Por isso, antes da decisão, Santos defende que seja feito um estudo de viabilidade para avaliar se vale a pena gastar essa última “vaga” com Corpus Christi, que este ano foi apenas ponto facultativo, decretado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD).
A cautela do autor, no entanto, gerou atritos. Rogério Amorim, um dos coautores do projeto, criticou a falta de avanço na tramitação. “O prefeito não quer o feriado, e Márcio evita contrariá-lo. Ao mesmo tempo, teme se indispor com a Igreja. Resultado: o projeto está sempre na pauta, mas nunca vai à votação. Se ele não pedir para votar, eu pedirei”, disse o parlamentar.
Apesar da disputa política, o texto ainda não foi arquivado. Nos bastidores, porém, a avaliação é de que pode acabar esquecido nas gavetas da Casa por tempo indeterminado.
Tradição católica sem status oficial
Embora Corpus Christi seja uma das celebrações mais marcantes do calendário católico, com missas, procissões e tapetes confeccionados pelas comunidades, a data não é considerada feriado nacional, estadual nem municipal no Rio. Atualmente, sua realização depende de decretos de ponto facultativo, como ocorreu em 2025.
O debate em torno do tema, portanto, vai além da religião: envolve também interesses políticos e a disputa por espaço na agenda oficial de feriados da cidade.



