Na última quinta-feira (4), o governador Cláudio Castro (PL) voltou atrás em uma decisão que movimentava os bastidores políticos do Rio. Pressionado pelos próprios suplentes, que garantiram lealdade suficiente para aprovar as propostas do Executivo, ele desistiu de exonerar secretários que também exercem mandato na Assembleia Legislativa (Alerj).
A medida, cogitada no início da semana, permitiria que os deputados voltassem temporariamente ao plenário para reforçar a base na votação de um pacote robusto de 12 projetos de lei enviados pelo governo. Entre os nomes envolvidos estavam Anderson Moraes (Ciência, Tecnologia e Inovação), Douglas Ruas (Cidades), Felipinho Ravis (Trabalho e Renda), Jair Bittencourt (Desenvolvimento Regional, Interior, Pesca e Agricultura Familiar) e Gustavo Tutuca (Turismo). Todos seguem em seus cargos no Palácio Guanabara, aliviados por não precisarem se dividir entre a administração e a política legislativa em um período que promete ser de debates longos e tensos.
A exceção ficou por conta de Rafael Picciani (MDB), ex-secretário de Esportes e Lazer, que acabou exonerado na quarta-feira. Sua situação é peculiar: ao retornar à Alerj, ele abre espaço para que o suplente TH Joias — preso sob acusações graves de tráfico internacional de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e fornecimento de armas ao Comando Vermelho — perca o mandato automaticamente. Assim, a Casa deixa de ter a obrigação de autorizar judicialmente a prisão do parlamentar.
O episódio revela não apenas os cálculos políticos do governador em meio a um pacote decisivo de projetos, mas também como casos individuais, como o de Picciani, podem ter impacto direto no equilíbrio de forças dentro da Alerj.



