Governadores de perfil conservador chegam ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira (30) para uma reunião com o governador Cláudio Castro (PL), em meio à forte repercussão da megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou mais de 100 mortos e entrou para a história como a mais letal do estado. O encontro acontece às 18h, no Palácio Guanabara, sede do governo fluminense.
A reunião, articulada por Jorginho Mello (PL), governador de Santa Catarina, tem como objetivo manifestar apoio político a Castro e debater estratégias conjuntas de segurança pública. Também participam os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil – GO), Romeu Zema (Novo – MG), Ratinho Jr. (PSD – PR) e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP).
Reunião ocorre em meio a debate sobre política de segurança
O encontro acontece em um momento de tensão política, com governadores de direita se posicionando contra a PEC da Segurança, proposta pelo governo federal, que prevê a coordenação nacional das forças policiais estaduais. Para os líderes regionais, a medida pode reduzir a autonomia dos estados e centralizar o poder em Brasília.
Apesar das críticas, os governadores ainda não apresentaram uma alternativa à proposta. O tema deve ser um dos principais pontos da reunião, que também busca unir o discurso dos estados diante da pressão nacional após a operação no Rio.
Operação histórica e polêmica
Deflagrada na terça-feira (28), a ação — batizada de “Operação Contenção” — mobilizou milhares de agentes estaduais e federais para combater o Comando Vermelho, principal facção criminosa do Rio. O balanço mais recente indica 119 mortos, entre suspeitos e quatro policiais.
O governador Cláudio Castro tem defendido a operação e classificou o resultado como “um sucesso histórico no enfrentamento ao crime organizado”. Segundo ele, a ação teve como objetivo desarticular bases criminosas e apreender armamentos de guerra, usados pelo tráfico em áreas de domínio da facção.
Apesar do discurso oficial, a operação tem gerado críticas e cobranças por transparência sobre o número de vítimas e as circunstâncias das mortes. Organizações de direitos humanos e políticos da oposição pedem investigação independente sobre o episódio, que reacendeu o debate sobre os limites das ações policiais em áreas densamente povoadas.



