Um decreto do governo estadual autorizando a instalação de máquinas de apostas em bares, restaurantes e outros estabelecimentos do Rio abriu uma nova frente de desgaste político. A medida, publicada nesta terça-feira (19), rapidamente encontrou resistência na capital, onde o prefeito Eduardo Paes (PSD) tratou o assunto como um equívoco e sinalizou que não permitirá a prática em território municipal.
Mesmo em viagem oficial a Nova York, Paes fez questão de marcar posição. Sem citar diretamente os interesses econômicos que giram em torno do setor, ele lembrou que bingos e cassinos permanecem proibidos no Brasil há quase oito décadas e que qualquer mudança deveria passar pelo Congresso Nacional — e não ser decidida por decreto.
Resistência no município
Na prática, a prefeitura já prepara uma barreira jurídica: nenhum estabelecimento no Rio receberá alvará para operar as máquinas. O documento será oficializado na sexta-feira (22) pelo prefeito em exercício, Eduardo Cavaliere. A iniciativa abre um caminho de confronto institucional, pois cria regras opostas às definidas pelo Palácio Guanabara.
Jogo político em andamento
Paes afirmou que pretende discutir o tema diretamente com o governador Cláudio Castro (PL) na próxima semana. O encontro deve acontecer em meio a um cenário de divergências crescentes entre as duas esferas de poder. Nos bastidores, aliados avaliam que o embate pode ter reflexos nas articulações eleitorais de 2026, já que ambos atuam como protagonistas no tabuleiro fluminense.
Debate sem consenso
A discussão sobre a legalização de jogos de azar no Brasil, retomada em Brasília nos últimos anos, continua sem consenso. Para Paes, permitir o funcionamento das máquinas sem debate legislativo e sem ouvir a sociedade é “abrir a porta para riscos sociais e econômicos”.
Enquanto o governo estadual aposta na medida como estratégia de arrecadação e estímulo econômico, a prefeitura da capital já se posicionou para ser o contraponto mais firme. A disputa, ao que tudo indica, está apenas começando.



