A Polícia Federal apreendeu uma lista com nomes de pelo menos 25 políticos durante buscas realizadas em um imóvel ligado ao contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, apontado pelas autoridades como um dos principais líderes da chamada máfia do cigarro no Rio de Janeiro. Entre os nomes citados nos documentos está o do ex-governador Cláudio Castro (PL), segundo informação divulgada pelo portal g1.
O material foi localizado dentro de uma mala encontrada ao lado da cama de Adilsinho durante uma operação anterior da PF. Nesta quinta-feira (2), o contraventor voltou a ser alvo de uma nova fase da Operação Unha e Carne, que aprofunda as investigações sobre o grupo criminoso.
De acordo com as apurações iniciais, as anotações indicariam a existência de supostos repasses periódicos de recursos a agentes políticos. A Polícia Federal, no entanto, ainda investiga o significado dos registros e a eventual relação entre os nomes mencionados e o esquema criminoso.
Até o momento, a corporação não divulgou oficialmente a identidade das pessoas que aparecem nas listas. O nome de Cláudio Castro foi confirmado pelo g1, mas o ex-governador não foi alvo de mandados judiciais na operação desta quinta-feira.
Nova fase da Operação Unha e Carne
A quinta etapa da Operação Unha e Carne foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teve como foco o aprofundamento das investigações sobre uma organização suspeita de atuar em esquemas de contrabando de cigarros, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas.
Entre os alvos da ação estão o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar, que já se encontra preso, e o pastor e empresário Márcio Pôncio, detido nesta quinta-feira por suspeita de ligação com o grupo investigado. Pôncio é pai da deputada estadual Sarah Pôncio (Solidariedade).
Além do cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão, o STF determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados, limitado ao montante de R$ 22 milhões.
As investigações prosseguem para esclarecer o conteúdo dos documentos apreendidos, identificar a origem dos recursos registrados nas planilhas e verificar se houve participação de agentes públicos no suposto esquema criminoso.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua responsabilidade criminal às pessoas citadas nas listas apreendidas pela Polícia Federal.



