O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prisão imediata de Éder Fábio Gonçalves da Silva, conhecido como “Fabinho é nós”, condenado a 20 anos de prisão pelo assassinato de uma testemunha que colaborou com a Operação Capa Preta. A decisão foi assinada pelo ministro Gilmar Mendes, após pedido do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
Éder é apontado como membro de uma das mais violentas milícias da Baixada Fluminense, com atuação em comunidades de Duque de Caxias. Ele é filho do ex-vereador e ex-PM Jonas Gonçalves da Silva, conhecido como “Jonas é Nóis”, um dos principais líderes do grupo criminoso investigado desde 2010.
Crime foi retaliação contra delator
O homicídio que motivou a condenação ocorreu como represália à colaboração de Lucas José Antônio com as autoridades. Lucas era uma das testemunhas-chave da investigação e foi executado em um contexto de intimidação e silenciamento de delatores.
Apesar da pena em regime fechado, o Tribunal de Justiça do Rio havia permitido que Éder recorresse em liberdade. A decisão foi revertida pelo STF, que considerou inadequado manter solto um réu condenado a mais de 15 anos por um crime grave ligado ao crime organizado.
Milícia controlava serviços e espalhava o medo
A milícia liderada por Jonas Gonçalves atuava em diversas frentes ilegais: extorsão a moradores e comerciantes, agiotagem, tráfico de armas, exploração de serviços clandestinos como transporte alternativo, sinal de TV e internet, além de venda abusiva de botijões de gás e cestas básicas.
A organização criminosa mantinha o controle sobre comunidades como Pantanal, Parque Fluminense, Sarapuí, Parque Muísa e Gramacho, consolidando seu poder por meio da violência.
Filho do chefe da milícia também teve candidatura barrada
A influência da milícia se estende à política local. Em 2023, o Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura de Jonhnatan Gonçalves da Silva, o “Petão Família” — filho de Jonas e irmão de Éder — a vereador em São Pedro da Aldeia, pelo partido Republicanos.
Segundo o MP, Jonhnatan tem condenações por associação criminosa armada e omitiu informações relevantes em sua ficha criminal. O caso levanta novamente o debate sobre a presença de milicianos e seus familiares no processo eleitoral.



