Policiais civis da Delegacia do Consumidor (Decon) realizaram, nesta segunda-feira, a Operação Mounjaro, com o objetivo de combater uma organização criminosa envolvida na importação e venda ilegal de medicamentos controlados para emagrecimento.
As investigações apontam que os produtos eram trazidos para o Brasil sem autorização dos órgãos reguladores e comercializados sem receita médica, o que representa um grave risco à saúde pública. A operação busca interromper esse esquema clandestino e responsabilizar os envolvidos.
Durante a operação, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos de envolvimento no esquema criminoso, com o objetivo de reunir provas. As ações aconteceram em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Um casal foi levado à Delegacia do Consumidor (Decon), na Cidade da Polícia, na Zona Norte da capital, onde prestou depoimento e confessou participação na organização ilegal.
Durante a Operação Mounjaro, o delegado Wellington Vieira explicou que o medicamento Mounjaro é de uso controlado, só podendo ser vendido com receita médica retida na farmácia e por estabelecimentos autorizados pela Anvisa. No entanto, o casal investigado trazia diversas unidades do remédio escondidas na bagagem, tentando driblar a fiscalização nos aeroportos. Após a entrada ilegal no país, os produtos eram comercializados pelas redes sociais.
Em dezembro do ano passado, uma tentativa semelhante fracassou, e a Anvisa apreendeu 25 caixas do medicamento. Agora, com autorização judicial, a Polícia Civil está analisando os celulares apreendidos para aprofundar as investigações e reunir mais provas sobre a rede de distribuição clandestina.
Segundo a Polícia Civil, a importação e venda ilegal desses medicamentos representam um sério risco à saúde pública. Além da exigência de prescrição médica, esses produtos demandam cuidados específicos de armazenamento e transporte. O uso de remédios mal armazenados pode causar efeitos adversos, alerta o delegado.
— O medicamento é eficaz, mas essa eficácia depende de condições rigorosas, especialmente de conservação. Transportá-lo junto ao corpo ou na bagagem compromete sua qualidade. A pessoa pode ter reações inesperadas sem saber que a causa foi o mau estado do remédio — explica Vieira.
Todo o material apreendido será analisado para auxiliar nas investigações.
A Anvisa aprovou recentemente o uso do Mounjaro, produzido pela farmacêutica americana Lilly, para o tratamento da obesidade e sobrepeso. Inicialmente indicado apenas para diabetes tipo 2, o medicamento à base de tirzepatida agora pode ser prescrito para pacientes com índice de massa corporal (IMC) acima de 30, ou acima de 27 em casos com comorbidades. O Mounjaro integra o grupo das chamadas “canetas emagrecedoras”, ao lado de Ozempic, Wegovy e Saxenda, com preço variando entre R$ 1.700 e R$ 2.400.




