Um vídeo publicado pelo secretário de Proteção e Defesa do Consumidor do Rio, João Pires, gerou forte reação na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Na gravação, Pires ironiza o recém-aprovado Estatuto das Blitzes, afirmando que os deputados que criaram a lei “prometeram acabar com as blitzes”, mas agora estariam promovendo o uso de maquininhas de cartão nas fiscalizações para facilitar o pagamento de dívidas no momento da abordagem.
A declaração não passou despercebida. Durante a sessão desta quinta-feira (7), os deputados Filippe Poubel (PL) e Rodrigo Amorim (União Brasil) rebateram o secretário com críticas pesadas, mesmo sem citar seu nome diretamente.
Poubel destacou que o Estatuto das Blitzes não tem o objetivo de extinguir operações, mas sim de torná-las mais transparentes e justas para os motoristas. “O cidadão, ao ser abordado, poderá resolver sua situação na hora. Isso nunca foi possível antes”, disse o deputado, que também alfinetou o secretário: “Tentou ser vereador, não conseguiu. Tentou ser deputado, também não. Mas virou secretário porque caiu nas graças do prefeito Eduardo Paes”.
Rodrigo Amorim foi ainda mais duro e criticou a nomeação de Pires por Paes, afirmando que o prefeito escolhe secretários “pelo Tinder” e que o jovem secretário, natural de São Gonçalo, “fala bobagens que depois paga na Justiça”. Amorim fazia referência a uma condenação de R$ 30 mil imposta a João Pires por calúnia, injúria e difamação contra ele, Poubel e o deputado Alan Lopes — todos autores do Estatuto das Blitzes.
No ano passado, Pires acusou os três de estarem ligados à “verdadeira máfia dos reboques”, apesar de defenderem o fim desse esquema.
Os ataques dos deputados foram reforçados por outros parlamentares, como Giovani Ratinho (Solidariedade) e Luiz Paulo (PSD), que saíram em defesa do estatuto e criticaram a postura do secretário.
Até o momento, João Pires não comentou o caso. A reportagem aguarda manifestação do secretário.




