O embate entre o governador Cláudio Castro (PL) e o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) ganhou tons de confronto direto. Na última sexta-feira (9), durante evento na Baixada Fluminense, Castro atacou duramente a Corte após a suspensão da licitação para a construção da Estação de Tratamento Guandu 2, em Nova Iguaçu, obra avaliada em R$ 2 bilhões.
Visivelmente irritado, o governador disparou contra o conselheiro responsável pela decisão, Christiano Lacerda Ghuerren, acusando-o de agir por “politicagem” e usando termos de baixo nível para se referir ao tribunal:
“Não tenho medo de miliciano, vou ter medo de conselheiro? Tô cagando pra ele. É uma sacanagem suspender uma obra que vai ajudar quatro milhões de pessoas.”
O TCE reagiu nesta segunda-feira (11) com uma nota dura, repudiando o que classificou como tentativa de “politização e deslegitimação” do órgão. A Corte afirmou que a decisão foi técnica e apontou falhas graves no processo licitatório, incluindo ausência de dados claros sobre formação de preços e origem de valores.
“O Tribunal não atua para agradar interesses de ocasião, mas para cumprir sua missão constitucional”, diz o texto.
A Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon) também entrou no embate, acusando Castro de “hostilidade incompatível com o cargo” e alertando que seu discurso “beira a incitação à violência” contra autoridades públicas.
O caso expõe um novo front de tensão política no estado: de um lado, o governo pressiona para acelerar uma obra bilionária considerada estratégica; do outro, o TCE mantém o freio até que todas as exigências técnicas sejam cumpridas. Com os ataques públicos, o confronto promete se arrastar e elevar ainda mais o tom no cenário fluminense.




