A decisão que interrompeu a votação de cerca de 430 projetos de homenagem na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) continua gerando repercussão nos corredores da Casa. O episódio, que inicialmente parecia mais um capítulo da disputa entre governo e oposição, acabou expondo divergências dentro do próprio campo da esquerda.
A obstrução dos trabalhos foi liderada pela deputada Renata Souza (PSOL) como reação à estratégia adotada pelo PL, que solicitou votação nominal em projetos apresentados pelo partido. A medida, porém, teve reflexos mais amplos do que o esperado e atingiu parlamentares que não participavam diretamente do embate político.
O maior impacto foi sentido entre deputados do PT. A legenda tinha mais de 160 homenagens incluídas na pauta do dia, entre medalhas, moções e títulos honoríficos, que deixaram de ser apreciadas após o encerramento da sessão.
Nos bastidores, o clima é de insatisfação. Parlamentares relatam que muitos dos homenageados já haviam sido comunicados sobre a provável aprovação das propostas, e alguns eventos de entrega das honrarias chegaram a ser organizados antecipadamente. Com a suspensão da votação, todo o cronograma precisou ser revisto.
O episódio evidenciou um desconforto interno entre partidos que tradicionalmente atuam em conjunto na Assembleia. Embora a obstrução tenha sido vista por integrantes do PSOL como uma resposta política legítima, aliados avaliam que a estratégia acabou produzindo desgaste dentro do próprio bloco de oposição.
A expectativa agora é que os projetos retornem à pauta em uma próxima sessão, mas a repercussão do caso deixou marcas e abriu um novo foco de tensão entre partidos da esquerda fluminense, em um momento de intensa movimentação política na Alerj.






