O União Brasil decidiu adiar, nesta sexta-feira (31), a definição sobre a possível candidatura do ex-deputado estadual Márcio Canella ao Senado pelo Rio de Janeiro. O nome do político, que é investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis, ainda será analisado pela legenda nos próximos dias.
Durante a convenção estadual do partido, também não houve definição sobre o apoio ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL), na disputa pelo Governo do Estado. A expectativa é de que ambas as decisões sejam anunciadas até a próxima terça-feira (4), antes do encerramento do prazo das convenções partidárias.
Investigação influencia decisão sobre candidatura
A situação de Márcio Canella passou a ser debatida internamente após os desdobramentos da sexta fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização suspeita de utilizar postos de combustíveis para ocultar recursos e praticar lavagem de dinheiro.
Durante a operação, o ex-deputado foi alvo de mandados de busca e apreensão e chegou a ser preso em flagrante por porte ilegal de um fuzil. Posteriormente, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), revogou as medidas cautelares e autorizou sua liberdade após um policial militar assumir a responsabilidade pela arma encontrada no veículo.
Ao participar da convenção, Canella afirmou que a decisão sobre disputar ou não o Senado será tomada em conjunto com seu grupo político.
“Não sou candidato de mim mesmo. Sou candidato de um grupo. Continuo confiando na Justiça e sigo de cabeça erguida”, declarou.
Partido afirma que decisão será coletiva
Segundo a Polícia Federal, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões relacionadas aos investigados ao longo dos últimos seis anos. A apuração também busca identificar a eventual participação de agentes públicos no esquema.
Durante o evento, o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, manifestou apoio a Canella e afirmou que a definição sobre a candidatura ao Senado será tomada de forma coletiva pela aliança política.
Nos bastidores, aliados chegaram a cogitar a retirada do nome de Canella da disputa. No entanto, a revogação das medidas cautelares pelo STF foi interpretada por parte do grupo como um fator que pode favorecer a manutenção de sua pré-candidatura.
A definição final sobre a vaga ao Senado caberá à federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, que deve anunciar sua posição nos próximos dias.



