Uma declaração do presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), movimentou os bastidores políticos do estado ao trazer críticas diretas à situação fiscal do governo fluminense. Pré-candidato ao Palácio Guanabara, o parlamentar afirmou que o Rio de Janeiro caminha para o quarto ano seguido com orçamento deficitário e alertou para o crescimento das despesas em ritmo superior ao das receitas.
As declarações foram feitas durante entrevista ao podcast “Alemão Irritado” e chamaram atenção por atingirem um período que coincide com a gestão do ex-governador Cláudio Castro, aliado político de Douglas nos últimos anos. Antes de assumir a presidência da Alerj, Ruas integrou o primeiro escalão do governo estadual ao comandar a Secretaria das Cidades.
Ao comentar a situação financeira do estado, o deputado destacou que a administração pública deve seguir o princípio básico de adequar os gastos à arrecadação. Segundo ele, os sucessivos orçamentos deficitários enviados pelo Executivo à Assembleia demonstram um cenário que exige atenção.
Douglas afirmou que estudos realizados pelo Legislativo apontam que a arrecadação estadual registrou crescimento nos últimos anos, mas que as despesas avançaram em velocidade ainda maior, comprometendo o equilíbrio das contas públicas.
Nos bastidores, a avaliação é de que o discurso marca uma mudança de postura do presidente da Alerj. Embora mantenha ligação política com o grupo que governou o estado nos últimos anos, Douglas tem buscado construir uma imagem de maior independência administrativa, especialmente em meio ao desgaste enfrentado por Cláudio Castro.
O movimento ocorre em um cenário de reorganização política no Rio de Janeiro. Castro deixou recentemente a disputa eleitoral após enfrentar investigações e permanecer inelegível por decisão da Justiça Eleitoral, abrindo espaço para novas lideranças dentro do campo governista.
Durante a entrevista, Douglas também defendeu a necessidade de revisão dos gastos públicos e afirmou que o reequilíbrio fiscal deve ser uma prioridade para garantir a capacidade de investimento do estado em áreas essenciais.
Segundo ele, o objetivo é construir um orçamento mais sustentável, capaz de manter serviços públicos e investimentos sem ampliar o déficit das contas estaduais.
A discussão sobre responsabilidade fiscal e controle de gastos tende a ganhar destaque nos próximos meses, tornando-se um dos principais temas do debate político rumo às eleições estaduais.






