O embate entre o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), e o deputado estadual Filippe Poubel (PL) ganhou novos contornos nesta quinta-feira (21). Um processo judicial aberto por Paes, em que ele pede R$ 200 mil por danos morais contra o parlamentar e seu primo, o vereador Fábio Poubel, provocou forte reação do deputado em plenário.
Longe de recuar, Poubel elevou o tom das críticas. Durante a sessão da Assembleia Legislativa, voltou a associar o prefeito a esquemas de corrupção, usando termos como “chefe da máfia dos reboques” e “ladrão”. Segundo o deputado, a ação judicial seria apenas mais uma tentativa de silenciá-lo:
— Me processe, entre na fila. Não vou parar com minhas denúncias — declarou.
As acusações levantadas por Poubel se concentram em contratos da Prefeitura com a organização social Viva Rio, que, segundo ele, atuaria de maneira irregular por não possuir o Certificado de Entidade Beneficente (Cebas) desde 2021. O deputado argumenta que essa condição deveria impedir a continuidade das parcerias e acusa a instituição e a Prefeitura de causar prejuízos aos cofres públicos que chegariam a quase R$ 600 milhões.
Além disso, Poubel relembrou investigações da Operação Lava Jato, citando menções ao nome de Paes em delações da Odebrecht, nas quais, segundo ele, o prefeito teria sido identificado pelo codinome “nervosinho”.
O parlamentar ainda voltou a falar sobre o chamado “cartel dos reboques”, que, de acordo com suas palavras, teria operado sob a proteção da administração municipal.
— Os rebocadores só funcionavam porque havia respaldo da Prefeitura. Isso é a máfia dos reboques. E Paes sempre esteve ligado a isso — acusou.
A disputa judicial agora corre no Tribunal de Justiça, mas o embate político parece longe de ter um desfecho. Com as novas declarações de Poubel, a relação entre Legislativo e Executivo no Rio segue em um tom cada vez mais hostil.




