O juiz Juarez Costa de Andrade, titular da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), foi afastado do cargo nesta segunda-feira (14), após decisão unânime do Órgão Especial do TJ-RJ. Ele é investigado por supostamente ter recebido benefícios de advogados ligados ao bicheiro Aílton Guimarães Jorge, conhecido como Capitão Guimarães.
De acordo com relatório da Corregedoria do Tribunal, o magistrado teria tido parte dos custos de uma viagem à Itália, em abril de 2023, pagos pelos advogados de defesa de Guimarães. Entre os benefícios recebidos estariam passagens aéreas em classe executiva, passeios de lancha e hospedagem em uma embarcação de luxo com 18 suítes. Juarez alegava que a viagem foi feita para participar de um curso sobre combate ao crime organizado.
A situação se agravou meses depois, quando o juiz anulou uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público que tinha como alvos o bicheiro e outras 12 pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa. Segundo Juarez, a PF não teria competência legal para atuar no caso. Na época, todos os investigados estavam presos.
O relatório da Corregedoria ainda aponta que o magistrado teria participado de campeonatos de pôquer durante o horário de expediente, tanto no Rio quanto em outros estados. Diante do conjunto das suspeitas, o TJ-RJ decidiu abrir um processo disciplinar e afastar o juiz de forma imediata.
A defesa de Juarez, representada pelo advogado Luis Gustavo Grandinetti, afirmou em nota que o magistrado não teve a chance de apresentar defesa prévia e classificou o afastamento como arbitrário. Ele também negou qualquer irregularidade, destacando que a decisão do juiz sobre a anulação das provas foi confirmada por tribunais superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).
Quanto à viagem à Itália, a defesa alegou que havia uma relação de amizade entre o juiz e os advogados, o que, segundo eles, não configura impedimento legal.
Com a abertura do processo, Juarez seguirá afastado até a conclusão das investigações. O caso também será acompanhado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por envolver possível favorecimento em um dos esquemas mais sensíveis de organização criminosa no estado do Rio de Janeiro.




