Condenado a mais de 400 anos de prisão por corrupção, o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, entrou com um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar anular todas as suas sentenças relacionadas à Operação Lava Jato.
O recurso foi apresentado à análise do ministro Dias Toffoli, que nesta semana já tomou uma decisão polêmica ao anular todas as condenações do doleiro Alberto Youssef, um dos personagens centrais da Lava Jato. A defesa de Cabral usa justamente essa decisão como base para tentar reverter sua situação.
Os advogados argumentam que, se a anulação das penas de Youssef coloca em dúvida a legalidade de todo o processo, isso também deve valer para Cabral, que foi um dos principais alvos da operação. Eles afirmam ainda que houve uma espécie de “acordo” entre procuradores da força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro — hoje senador — para manipular investigações e atingir alvos políticos.
Cabral enfrenta condenações tanto em Curitiba quanto no Rio de Janeiro, todas relacionadas a esquemas de corrupção descobertos durante a Lava Jato. Segundo a defesa, ele foi vítima das mesmas práticas questionadas por Toffoli no caso de Youssef.
Na decisão recente, o ministro do STF afirmou que houve um “conluio institucional” para forçar o doleiro a assinar um acordo de delação premiada, com o objetivo de atingir lideranças políticas, especialmente do PT. Com isso, a equipe jurídica de Cabral acredita ter encontrado uma brecha para pedir a anulação de todas as sentenças contra o ex-governador.




