A inclusão do Complexo Esportivo Caio Martins, em Niterói, na lista de imóveis que o governo estadual pretende vender desencadeou uma disputa política intensa na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Deputados da região, de diferentes partidos, se mobilizam para impedir a negociação do espaço e disputar o protagonismo na defesa do patrimônio.
Na tarde desta quarta-feira (27), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisou um projeto de 2023, de autoria da deputada Verônica Lima (PT), que propunha o tombamento do complexo como patrimônio imaterial. Durante a reunião, a deputada Elika Takimoto (PT), também integrante da comissão, apresentou uma emenda para transformar o tombamento em material, o que impõe restrições a alterações na estrutura física do estádio.
A proposta gerou reações imediatas. Alexandre Knoploch (PL) e Rodrigo Amorim (União), presidente da CCJ, classificaram a emenda como uma “manobra política” e contestaram sua validade regimental. Apesar das críticas, a maioria dos parlamentares votou pela aprovação da mudança, permitindo que o texto siga para apreciação em plenário.
A polêmica, no entanto, começou antes. Reportagem do jornal A Tribuna revelou que o Caio Martins estava entre os 48 imóveis que o governo pretende vender, com expectativa de arrecadar R$ 1,5 bilhão. A divulgação mobilizou deputados ligados a Niterói, como Vitor Júnior (PDT) e Douglas Gomes (PL), que se manifestaram contra a medida. Gomes, inclusive, anunciou a intenção de apresentar um projeto de lei para tombar o espaço e chegou a convidar adversários políticos históricos, como Verônica Lima e Flávio Serafini (PSOL), para assinar a proposta em conjunto.
Com a aprovação da emenda na CCJ, a decisão final sobre o futuro do Caio Martins passa agora para o plenário da Alerj.




