Na noite desta quinta-feira (28), a Câmara Municipal do Rio viveu um dos debates mais tensos das últimas semanas. Em pauta, o projeto do vereador Rogério Amorim (PL), que queria impedir a participação de crianças e adolescentes de até 16 anos nas paradas do orgulho LGBTQIA+. O resultado foi apertado: 16 votos contra, 15 a favor. Com isso, a proposta foi derrotada e será arquivada.
O tema vinha causando mobilização desde o início do mês. Grupos LGBTQIA+ ocuparam as galerias do Palácio Pedro Ernesto em protesto, levando faixas e palavras de ordem. Do outro lado, Amorim insistia que sua proposta não era contra as manifestações, mas em defesa do que chamou de “preservação das crianças”. O texto, porém, obrigaria organizadores a fiscalizar a idade de quem participa das paradas e previa multa de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
No plenário, vozes contrárias ganharam força. A vereadora Mônica Benício (PSOL), que integra a comunidade LGBTQIA+, chamou o projeto de inconstitucional e acusou Amorim de espalhar desinformação. Ela também lembrou outra proposta de autoria do parlamentar — a dos cartazes antiaborto em unidades de saúde — que classificou como “vergonha nacional”. A vereadora Maíra do MST (PT) também se manifestou em repúdio à ideia.
A votação terminou em clima de bate-boca. Irritada com a condução da sessão, Mônica acusou a presidente em exercício, Tânia Bastos (Republicanos), de contabilizar votos após o prazo. Tânia rebateu, dizendo que a colega já havia feito o mesmo em outras ocasiões.
A derrota do projeto representa mais do que uma decisão pontual: mostra o quanto a Câmara carioca está dividida em temas ligados a costumes e direitos. Do lado de fora, manifestantes celebraram o resultado como uma vitória da liberdade e da diversidade. Dentro do plenário, ficou claro que a disputa política em torno dessas pautas ainda vai continuar.




